quarta-feira, 20 de junho de 2007

FILME BAIXIO DAS BESTAS


O filme aborda o universo do corte de cana no interior de Pernambuco, onde o tradicionalismo nordestino e as questões morais e familiares se misturam com desejos proibidos, abusos de poder e sentimentos de superioridade do típico cabra-macho brasileiro. Destacando personagens frágeis que se escondem sob máscaras cruéis e cínicas, “Baixio das Bestas” é uma montanha-russa de sensações que, por ora, trazem angústia e até enjôos na boca do estômago, e, por outras, brindam o espectador com a poesia cinematográfica e quase sensorial do longa de Assis.


Desagradável, porém necessário, “Baixio das Bestas” é um retrato fiel do Brasil rural mais visceral e pouco inocente, aquele que ninguém quer ver. As longas passagens de tempo e o acompanhamento em tempo real de determinados percursos no longa, mostram que Assis quer também apontar um grave defeito brasileiro: a falta de responsabilidade com a desgraça distante e/ou uma preocupação apenas com o que ocorre à nossa volta e imediatamente. Uma aula de antropologia e sociologia feita através de uma obra-prima suja do cinema brasileiro. No final das contas, gostando ou não de “Baixio”, o que importa é o que o longa gera através de seu enredo, personagens caóticos ou cenas iluminadas e belas com paisagens do sertão nacional. “Se não gostar, pode vaiar, mas pensa um pouco”, como bem alegou Assis antes da exibição do filme. Nada mais justo.

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