

HISTÓRICO
A varíola é uma doença conhecida desde a antiguidade. Como não existem reservatórios animais nem portadores humanos, sua persistência depende da transmissão contínua entre seres humanos. Por isso, especula-se que deve ter emergido após os primeiros assentamentos agrícolas, por volta de 10.000 anos a.C.1. Paschen descreve evidência de varíola na China cerca de 1700 anos a.C., e Haeser acredita que descrições de doença exantemática na Índia antiga possam corresponder a esta patologia. No entanto, as evidências mais seguras vêm de múmias da 18a dinastia egípcia (1580-1350 a.C.), e a cabeça mumificada do faraó Ramses V (ao redor de 1160 a.C.) mostra lesões compatíveis com essa doença. Parece ter permanecido ausente da Europa nos períodos grego e romano clássico, embora haja descrição de Tucidides de ocorrência em Atenas cerca de 430 a.C. e Diodorus Siculus descreve doença similar atacando o exército cartaginês no cerco de Siracusa em 396 a.C. No quarto século d.C. surgem descrições escritas na China. No sexto século d.C. era comum no norte da África, de onde teria passado à França, causando epidemia descrita pelo bispo Gregório, de Tours, em 581 d.C.
Por volta do século 10 d.C. já existiam hospitais no Japão para o isolamento de pacientes com varíola. Nessa época, a doença era comum em todo o Oriente Próximo. Re-introduções na Europa ocorreram com o retorno das cruzadas, e a invasão mongol levou a nova disseminação em massa. Para ressaltar a importância da doença no continente europeu, bastaria citar que no final do século 18 morriam de varíola cerca de 400.000 pessoas por ano, e um terço dos casos de cegueira era secundário a seqüelas da doença2.
Sua introdução no Novo Mundo foi catastrófica. Com a chegada dos espanhóis ao México, cerca de três milhões de nativos morreram de varíola. Graves epidemias dizimaram tribos ameríndias e contribuíram decisivamente para o colapso dos impérios asteca e inca1.
É possível afirmar que na metade do século 16 o mundo todo já estava infectado, e, se não fosse o aparecimento da vacinação, a varíola seria um pesadelo recorrente a cada nova geração até os dias de hoje.
A varíola é uma doença conhecida desde a antiguidade. Como não existem reservatórios animais nem portadores humanos, sua persistência depende da transmissão contínua entre seres humanos. Por isso, especula-se que deve ter emergido após os primeiros assentamentos agrícolas, por volta de 10.000 anos a.C.1. Paschen descreve evidência de varíola na China cerca de 1700 anos a.C., e Haeser acredita que descrições de doença exantemática na Índia antiga possam corresponder a esta patologia. No entanto, as evidências mais seguras vêm de múmias da 18a dinastia egípcia (1580-1350 a.C.), e a cabeça mumificada do faraó Ramses V (ao redor de 1160 a.C.) mostra lesões compatíveis com essa doença. Parece ter permanecido ausente da Europa nos períodos grego e romano clássico, embora haja descrição de Tucidides de ocorrência em Atenas cerca de 430 a.C. e Diodorus Siculus descreve doença similar atacando o exército cartaginês no cerco de Siracusa em 396 a.C. No quarto século d.C. surgem descrições escritas na China. No sexto século d.C. era comum no norte da África, de onde teria passado à França, causando epidemia descrita pelo bispo Gregório, de Tours, em 581 d.C.
Por volta do século 10 d.C. já existiam hospitais no Japão para o isolamento de pacientes com varíola. Nessa época, a doença era comum em todo o Oriente Próximo. Re-introduções na Europa ocorreram com o retorno das cruzadas, e a invasão mongol levou a nova disseminação em massa. Para ressaltar a importância da doença no continente europeu, bastaria citar que no final do século 18 morriam de varíola cerca de 400.000 pessoas por ano, e um terço dos casos de cegueira era secundário a seqüelas da doença2.
Sua introdução no Novo Mundo foi catastrófica. Com a chegada dos espanhóis ao México, cerca de três milhões de nativos morreram de varíola. Graves epidemias dizimaram tribos ameríndias e contribuíram decisivamente para o colapso dos impérios asteca e inca1.
É possível afirmar que na metade do século 16 o mundo todo já estava infectado, e, se não fosse o aparecimento da vacinação, a varíola seria um pesadelo recorrente a cada nova geração até os dias de hoje.
Nenhum comentário:
Postar um comentário