NOSSA TRUCULÊNCIA
Clarice Lispector
Quando penso na alegria voraz com que comemos galinha ao molho pardo, dou-me conta de nossa truculência. Eu, que seria incapaz de matar uma galinha, tanto gosto delas vivas mexendo o pescoço feio e procurando minhocas. Deveríamos não comê-las e ao seu sangue? Nunca. Nós somos canibais, é preciso não esquecer. E respeitar a violência que temos. E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo, comeríamos gente com seu sangue. Minha falta de coragem de matar uma galinha e no entanto comê-la mortame confunde, espanta-me, mas aceito. A nossa vida é truculenta: nasce-se com sangue e com sangue corta-se a união que é o cordão umbilical. E quantos morrem com sangue. É preciso acreditar no sangue como parte de nossa vida. A truculência. É amor também.
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5 comentários:
karyna, vc além de linda é mto sensível!! quero te conhecer logo!!!!
Um anônimo querento te conhecer logo....
Kaka, que sucesso. Ele até sabia que seu nome era com y. Olha, eu errei na foto viu? Depois arrumo.
Ela é uma querida, sim, toda especial. Muito ritualística....
Ah essas palavras de Clarice eram para estar aqui nesse blog, pq eu mandei pra Maria e pro Soler e hoje vejo aqui essas sábias palavras ....ai Clarice Clarice a mais bela alma desse mundo DIVINA!!! Minha melhor amiga
quem será esse anônimo? será o homem da minha vida?
hehehe!
lindo isso nat, clarice sempre tao nescessaria...
a carne o sangue, voltam um dia a renascer em nosso estomago? sera que a vida moderna é tao fragmentada quanto os animais mortos, e fragmentados q comemos? realmente essa é uma questao que da pano pra manga, tanto socialmente, economicamenet e religiosamente.
parabens a iniciativa é show! qro estar na estreia! bjao
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