sexta-feira, 8 de junho de 2007




BANALIZADA, A TORTURA PASSOU A OCUPAR CADA VEZ MAIS ESPAÇO NO IMAGINÁRIO DA INDUSTRIA CULTURAL.


"Poucas coisas injetam, tanta adrenalina em nossas víceras quanto o exercício do poder ilimitado sobre outro ser humano" segundo Darius Rejali, professor de ciência politica do Reed College.

Pelo depoimento de um soldado frances torturado na Guerra da Argélia, o primeiro sinal dessa erupção física é sentida na boca - a saliva se torna pastosa e um gosto estranho começa a se esparramar pela língua.


Segundo Hajji Ali, um dos prisioneiros de Abu Ghraib, quando fazem suas preces, os prisioneiros se agacham muito perto um do outro, murmurando os versos com a garganta seca.

Há mortos e feridos no chão enlameados dos pavilhões da prisão, a doença se espalha, centenas passam fome e os prisioneiros se revoltam contra a comida que lhes é servida. Os americanos começam a amontoar pilhas de homens nus de capuz, e arrastá-los pelos corredores, presos a coleiras de cachorro.

Um rapaz implora aos soldados para levá-lo ao banheiro. Os guardas vendam seus olhos, levam-no para andar em círculos e vão buscar seu pai. Obrigam o pai a se estender aos pés do filho e dizem ao rapaz: "Pronto, você esta diante da privada".


Revista Piauí/Maio 2007

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